Uma pesquisa recente revelou que 54% dos jovens da Geração Z relatam sentir “deslealdade crônica” em relação aos seus empregos. Esse comportamento não estaria relacionado ao uso de inteligência artificial, em vez disso, jovens afirmam que abandonam as empresas quando percebem falta de propósito, reconhecimento ou oportunidades reais de crescimento.
O que dizem os números
A Geração Z, em média, permanece apenas 1,1 ano no mesmo emprego antes de buscar outra oportunidade.
68% dos jovens que mudaram de carreira afirmaram que ainda se sentiam aptos a desempenhar bem suas funções anteriores, ou seja, não abandonam por falta de capacidade, mas por desalinhamento.
A insatisfação não é com a tecnologia nem com ferramentas novas: o abandono ocorre mesmo quando elas estão presentes. O ponto central é que muitos jovens não veem sentido ou valorização no ambiente de trabalho.
Por que “deslealdade crônica”?
O termo sugere que muitos jovens hoje preferem não se comprometer com empresas que não oferecem:
- Perspectivas claras de crescimento
- Reconhecimento real, não simbólico
- Propósito e alinhamento de valores
- Liderança justa e ambiente de trabalho saudável
Ou seja: não é que os jovens tenham perdido o “espírito de trabalho”, eles estão rejeitando modelos ultrapassados de emprego, especialmente quando a empresa não entrega reciprocidade.
O papel das empresas
Para reter talentos da Geração Z, as empresas precisam entender que:
- Compromisso unidirecional não funciona mais — jovens esperam reciprocidade: você investe neles, eles investem no trabalho.
- Simples salário ou título não bastam — é essencial oferecer desafios, autonomia real e impacto.
- Cultura importa tanto quanto função — tolerância ao erro, diálogo transparente, propósito coletivo são diferenciais.
- Trajectória visível é crucial — jovens querem saber para onde podem crescer e o que precisam fazer para isso.
- Ouvir e ajustar — feedback constante e disposição a adaptar práticas de trabalho são fundamentais.
Reflexão para Moçambique e África
Esse fenômeno também pode estar se manifestando em mercados africanos, embora menos estudado. Aqui vão algumas ideias para aplicar no contexto local:
- Realizar pesquisas internas em empresas moçambicanas para mensurar rotatividade entre jovens.
- Implantar programas de mentoria, capacitação e planos de carreira visíveis.
- Promover cultura organizacional que valorize propósito social, muitos jovens sentem forte motivação por impacto comunitário.
- Estimular formas flexíveis de trabalho, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, e reconhecer que a “lealdade cega” muitas vezes gera frustração.
Fonte: Terra/Xataka Brasil — “54% da Geração Z sofre de deslealdade crônica: jovens confirmam e ressaltam que o problema não é a IA”













