A African Energy Chamber (AEC) considerou a decisão do UK Export Finance (UKEF) de retirar o apoio financeiro ao projecto de gás natural liquefeito (GNL) de TotalEnergies em Moçambique como “uma traição à segurança energética” do continente africano. O governo do Reino Unido anunciou o cancelamento de cerca de US$ 1,15 bilhão em financiamento ao projecto de GNL em Cabo Delgado, alegando aumento dos riscos associados à segurança e à viabilidade do empreendimento. A decisão faz parte de uma retirada conjunta com o apoio de uma agência de crédito dos Países Baixos, o que representa um corte de aproximadamente 10% do financiamento externo originalmente previsto. A AEC afirma que a medida atinge “a justiça energética africana”, ou seja, compromete a capacidade do continente de garantir energia acessível e confiável para milhões de pessoas que vivem sem eletricidade ou com acesso limitado. Segundo a entidade, projectos como o de Moçambique são vitais não apenas para exportação, mas para gerar energia doméstica, criar empregos, fomentar indústria e infraestruturas, sobretudo em regiões onde a eletricidade ainda não é universal. A retirada de financiamento estrangeiro evidencia a vulnerabilidade da dependência de capitais externos, reforçando o argumento da AEC de que o futuro energético da África deve passar por financiamento e liderança locais. Apesar da saída do Reino Unido e dos Países Baixos, os parceiros restantes do consórcio, liderados pela TotalEnergies, anunciaram que vão injetar capital adicional para cobrir a falha no financiamento, o que representa cerca de 10% do aporte externo. O projeto, que já enfrentou interrupções em 2021 devido à violência em Cabo Delgado, havia sido retomado recentemente, com expectativa de reinício das obras. Consequências potenciais para Moçambique e África Reflexão estratégica: para onde olhar agora Fonte: Correio da Manhã







