A utilização de tecnologias de automação e inteligência artificial (IA) tem se expandido de forma significativa no setor público, tornando-se uma ferramenta cada vez mais acessível para órgãos governamentais que buscam eficiência, redução de burocracia e melhor entrega de serviços ao cidadão.  Tarefas repetitivas, baseadas em regras e fluxos administrativos, como triagem de processos, atendimento ao cidadão, classificação de documentos ou encaminhamento de solicitações, estão sendo automatizadas com IA ou sistemas de automação de processos (RPA).  A “democratização” da IA, ou seja, ferramentas com menor custo, modelos mais simples de implementação e até serviços em nuvem, está tornando essas soluções acessíveis a governos locais ou de países com orçamentos mais restritos.  Exemplos concretos mostram que a automação de processos públicos pode reduzir erros, acelerar prazos e melhorar a experiência do cidadão, ao mesmo tempo em que libera servidores públicos para atividades com mais valor agregado.  Benefícios para a administração pública A implementação de IA e automação no sector público exige governança de dados, transparência de algoritmos, protecção da privacidade e treinamento dos funcionários.  Há o risco de automação mal planejada: se não houver mapeamento dos processos, fluxos complexos ou mudanças na legislação, a tecnologia pode falhar ou gerar mais problemas. Em contextos locais com infraestrutura limitada (internet instável, hardware antigo ou falta de pessoal técnico), a adoção pode ser mais lenta ou exigir adaptações específicas. A mudança cultural é significativa: servidores públicos podem resistir à automação se perceberem que isso ameaça postos de trabalho ou altera sua rotina sem apoio adequado. Relevância para Moçambique e África Em países africanos como Moçambique, onde muitos processos públicos ainda dependem de papel, filas e múltiplas visitas, a automação com IA representa um ganho relevante de eficiência, inclusão e transparência. O custo de entrada para automação e IA está diminuindo, o que abre possibilidade para municípios, províncias ou entidades locais implementarem soluções piloto com impacto real. No entanto, é fundamental que a automação seja adaptada à realidade local: línguas maternas, contexto de conectividade, legislação existente e sensibilização do cidadão devem fazer parte da estratégia. A adoção também pode impulsionar emprego qualificado em TI local (desenvolvimento de bots, gerenciamento de automação, governança de dados) e reduzir a dependência exclusiva de tecnologias importadas. Automatizar processos com IA já não é privilégio apenas de grandes governos ou países tecnológicos. A crescente acessibilidade dessas tecnologias permite que órgãos públicos mais simples ou com orçamentos mais restritos possam transformar suas operações, melhorar a qualidade de atendimento e liberar recursos. Para que o efeito seja duradouro, é essencial combinar tecnologia com governança, capacitação e adaptação local. Fonte: ECO